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Dublador de 'Injustice' diz que usar vozes brasileiras 'agrada aos fãs'

Há 16 anos, o dublador Guilherme Briggs é Superman nos desenhos animados com o herói que passam no Brasil. Inclusive, ele trabalha na versão dublada do filme "O Homem de Aço", que estreia no país em 12 de julho. Com o lançamento do game de luta "Injustice: Gods Among Us" traduzido para o português, Briggs, de 42 anos e que é dublador há mais de duas décadas, interpretou o super-herói, que no título dos criadores de "Mortal Kombat" tem uma versão malvada em um universo paralelo.

"Foi muito bom [dublar o Superman] por conta da nostalgia. Dublo o herói desde 1997 e toda a vez que eu o dublo é muito gostoso. As pessoas gostam quando as vozes destes personagens são mantidas e o jogo usou os mesmos profissionais que dublam estes heróis", disse Briggs ao G1. Ele disse que é uma honra poder dublar o Superman, seu herói favorito.

"Injustice: Gods Among Us" foi lançado no Brasil na quarta-feira (17) com versões para PlayStation 3 e Xbox 360. O game é dublado em português e é vendido por R$ 200 no país.

Entre seus trabalhos, Briggs é a voz brasileira de Buzz Lightyear, dos filmes "Toy Story", Miss Piggy, no filme "Os Muppets", Yoda em "Star Wars", Spock no filme "Star Trek" do diretor J.J. Abrams, o personagem Freakzoid do desenho de mesmo nome e muitos outros. Em games, ele já dublou games da Disney, e "Injustice" foi o primeiro game grande em que ele trabalhou.

Ter trabalhado em "Injustice" com colegas que ele atuou nos desenhos e filmes, para ele, foi "uma reunião de família". "Não temos feitos muitos games. Quando soube que trabalharia neste jogo, fiquei muito feliz já que é uma dublagem que se tornará uma coisa interativa".

Briggs conta que há diferenças em dublar um filme ou um desenho animado e um game. Segundo ele, muitas vezes, no game, as falas são gravadas sem imagens, apenas com um texto. "Temos o áudio original e o diretor nos orienta sobre o que acontece na cena para que o resultado não seja uma fala mecânica. O grande problema de se dublar um game é não deixar as falas 'mecânicas', americanizadas e artificiais. Tem que demonstrar realidade e aí o trabalho do ator é fundamental. A dublagem não é diferente de uma atuação". Em um jogo, ele comenta que as falas serão repetidas muitas vezes, a cada vez que ele for jogado, e que ter um trabalho bom é fundamental. "Tem que ter muito cuidado ao dublar um game por conta disso".

Em "Injustice", em uma realidade paralela, Superman é um ditador, um vilão poderoso, o que fez o dublador ter uma interpretação diferente da que ele fazia para os desenhos. "Fiz um Superman seguindo a linha do jogo e a forma como ele se apresenta no jogo. Tem um desenho do herói que dublei que ele aparecia mais malvado chamado 'Superman vs. Elite'".

O trabalho em um game não é fácil, segundo Briggs. O game pode ter muitas linhas de texto e pode ser muito cansativo. "Você pode ficar gravando uma fala atrás de outra e gravar reações [gritos de dor, por exemplo] e isso chega uma hora que cansa. Em jogos podemos gravar 2 mil arquivos [de áudio]. Em um filme, interagimos com outros atores e tem que ter um 'timming'. No jogo é tudo mais rápido. Tem que fazer com calma, tomar uma água, senão você perde a voz".

Sobre o reconhecimento, Guilherme Briggs é um dublador que tem o rosto reconhecido ao lado de sua voz, ele conta que ainda não se acostumou com a tietagem. "Acho muito gostoso este reconhecimento. Não estou tão acostumado com esta fama. Isso é por conta da internet, que a gente publica fotos e vídeos e as pessoas começam a te reconhecer. Isso é muito legal."

Briggs conta que gosta muito de games e que ainda não teve chance de jogar "Injustice", mas que pelo que leu e viu do game, ele achou bom. "Tem um bom modo História que mescla com lutas e você nem sente esta transição. Soube mais ou menos o que acontece na história por conta de ter dublado o Superman. Quero jogar [o game]", disse.

Ele contou que gosta de jogos da LucasArts "The Dig", "Full Throtle", "Day of the Tentacle", "Commandos", "Jedi Knight" e "Grim Fandango". "Gostaria de ter dublado o Manny Cavalera", brinca, falando sobre Grim Fandango. Ele também gosta muito da série "Silent Hill".

Sobre convites para dublar outros games, Briggs conta que adoraria aceitar o trabalho, mas é preciso que haja qualidade. "Tem que ser em um estúdio bom. Muitos dos trabalhos de dublagem de games são feitos de qualquer maneira. É uma correria e fica um resultado de má qualidade. Aí eu não gosto. Eu não sou chato, mas o trabalho tem que ser feito corretamente".

Qualidade da dublagem de games

Ao G1, Briggs afirmou que embora nos últimos anos tenha aumentado a quantidade de jogos dublados no Brasil, a qualidade destes trabalhos muitas vezes deixa a desejar. Segundo ele, a empresa que produz o jogo quer gastar pouco com a dublagem e contrata profissionais sem experiência e coloca um prazo apertado.

"O profissional só pensa em dinheiro e aceita fazer um trabalho que levaria meses em poucas semanas ou até dias. O resultado é uma dublagem mecânica, como uma pessoa lendo um texto. E isso não pode. No game, a fala será usada muitas vezes e um resultado de baixa qualidade compromete o jogo lançado no país. A empresa tem que contratar dubladores profissionais com experiência para o game tenha uma dublagem de qualidade."

Entre os games lançados no Brasil que são traduzidos, "Injustice" tem uma das melhores dublagens, segundo avaliação do G1. "Quem sabe 'Injustice' se torna um divisor de águas destes jogos dublados?", pergunta Briggs.

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